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A crise política que vivemos atualmente reflete a perda anterior dos nossos valores éticos, morais e humanos como civilização. A crise econômica preocupa a todos, mas poucos percebem que a própria preocupação com a economia, antes do que com a saúde, educação e segurança da população reflete uma ausência de valores que nos direciona ao abismo das relações coletivas.

 

É claro que para ter serviços eficientes à disposição dos cidadãos precisamos de uma economia saudável. Contudo, tivemos  educação, segurança e saúde de qualidade quando o país estava crescendo economicamente? A realidade é que quase a totalidade dos atores “preocupados” com a crise econômica transferem a ela a sua própria hipocrisia. A economia tornou-se um fim em si mesmo, ou no máximo, um meio para garantir os meus direitos. Principalmente, o direito a ter uma vida confortável e repleta de bens materiais. Não importa se, enquanto isso, ainda tivermos o país com a maior taxa de homicídios do planeta, milhares de pessoas morrendo nas filas dos hospitais e nos destacarmos na lanterna dos rankings internacionais de educação.

 

A lógica animal da sobrevivência egoísta, da qual fazemos parte, governa. Aqui embaixo, cada um de nós luta para sobreviver. O auge de altruísmo que a maioria alcança é cuidar da própria família. No poder, o mecanismo se repete, mas enquanto a economia vai bem, todos fingem não vê-lo. Cada grupo busca conquistar e manter o poder a qualquer custo. O discurso da justiça social ou do mercado é escolhido como quem escolhe as cartas com as quais quer jogar. A política que poderia constituir-se na ferramenta de redenção de todo um povo, ou pelo menos poderia dar as ferramentas para que seus cidadãos vivessem melhor, reproduz grosseiramente e com retoques de sadismo a falta de valores humanos que trazemos na nossa cultura, no nosso dia a dia.

 

Será que não é possível entrar em um consenso entre as diferentes forças políticas, a fim de garantir, ao menos educação, saúde e segurança? Tendo isso, que depois se discuta do pedágio ao aborto. Não... não é possível. Por que para cada grupo manter-se no poder precisa manter a bandeira que o levou até ali, pelo menos para a torcida, que somos nós, quando muito, espectadores aflitos de uma tragédia, mas nunca participantes ativos do “espetáculo”.

 

O que proponho, a partir deste momento, é que exerçamos o protagonismo que está ao nosso alcance, independentemente dos resultados imediatos que isso possa provocar na política nacional. Proponho que exerçamos com vigor e pragmatismo os valores que observamos ausentarem-se da política. Nossa única alternativa política para além de transferências de grupos de poder e novas demagogias, está na construção, desde a base, da nossa própria liberdade.

 

Não desejo entrar, neste momento, nos velhos conceitos de opressão e liberdade, mas oferecer uma essência unificadora que possa garantir um primeiro consenso. Um consenso baseado em valores humanos que dizem respeito à quase totalidade da humanidade. Com isso, quero dizer que podemos outorgar à política a sua primeira finalidade: garantir o nível mais básico de liberdade, que é o da dignidade humana.

Não estamos falando da liberdade do espírito sobre a matéria, das tradições antigas e religiosas, nem da liberdade do proletariado sobre a burguesia opressora. Estamos falando em unificar todos nossos esforços para garantir a cada brasileiro e brasileira o direito de ser um ser humano digno.

 

Como o conceito de dignidade pode ser extremamente subjetivo, divido aqui dois tipos de dignidades. Uma dignidade material e uma humana. A dignidade material é a que garante que mantenhamos a nossa sobrevivência sem sofrimento. A dignidade humana é a que nos garante a possibilidade de uma sobrevivência de acordo a nossos próprios valores éticos, morais e humanos, e o acesso ao conhecimento produzido pela humanidade.
 

Em outras palavras, e simplificando bastante a questão, a dignidade material é garantida por saúde e segurança, enquanto a dignidade humana é garantida por educação e cultura. A dignidade material é prioritária, pois é condição para a existência da segunda. Deveriam ser, pois, essas as únicas finalidades dos grandes projetos de poder, já que tais dignidades constituem as necessidades mais básicas e profundas de cada brasileiro.

 

A aquisição da própria dignidade material e humana passa também por um processo de escolha pessoal, no qual não é papel do Estado interferir. Cabendo, portanto, ao governo a finalidade de garantir o direito à dignidade material e humana. Assegurando que o processo de escolha de cada cidadão se estabeleça em possibilidades concretas ao seu alcance.

 

Contudo, na impossibilidade de acreditarmos em tamanho grau de lucidez e abnegação da política atual, nos próximos artigos visarei contribuir com uma nova proposta de reforma política, para além dos sistemas e interesses partidários atuais, mas ao alcance de cada uma das nossas mãos.

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