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Em tempos de crise política, econômica e moral os noticiários, especialistas e intelectuais se concentram, em sua maioria, em discutir economia e política. Furta-se ao debate o elemento nevrálgico de qualquer análise que pretenda criar frutos bem fundamentados, eficientes e duradouros para a transformação da sociedade. Economia e política são apenas desdobramentos, consequências, da cultura do país. Ao nos concentrarmos apenas em economia e política tratamos a dor que sentimos como nação, mas não a origem da doença.

 

A cultura é a forma mais sólida e eficaz de aprisionar ou libertar um povo. A cultura une os aspectos metafísicos, psicológicos e cotidianos de uma nação. Os valores que guiam as decisões políticas, comerciais, educacionais, rotineiras. A forma como vamos à padaria, ao estádio de futebol, à biblioteca (vamos?), museu (o que é isso?), ao parque, à praia ou à cidade é regida pela cultura. A maneira como discutimos e resolvemos desavenças é orientada pela cultura. Os princípios que orientam nossos intelectuais, exércitos, policiais, professores, motoristas, servidores públicos e empresários têm origem na nossa cultura.

 

Um observador externo ao nosso país, que pudesse observá-lo ao longo de décadas, ao mesmo tempo de maneira global e no dia a dia mais rotineiro de cada cidadão brasileiro, certamente concluiria: “vocês estão malucos! Querem encontrar uma solução econômica e política para mais de 200 milhões de pessoas que seja justa, equilibrada, eficiente e honesta, enquanto a grande maioria das relações, crenças e ações dessas mesmas pessoas são fundamentadas nos princípios justamente contrários”.

 

Exijo respeito e honestidade, mas apenas sou respeitoso e honesto enquanto tudo está sob controle e de acordo aos meus interesses. Se preciso escolher entre respeito ao próximo e benefício pessoal, não hesito em escolher o benefício pessoal. Essa maneira de pensar tem governado a mente e as ações dos brasileiros. Como poderíamos esperar que soluções verdadeiramente honestas, justas e projetadas para o maior benefício social pudessem sair de quem nos representa?

 

Vamos, portanto, salientar três elementos essenciais da constituição da cultura de um povo:

 

 

1. Tradição

 

O conjunto de mitos, ritos e símbolos que unificam um povo, remetem à sua origem, sintetizam valores e transmitem feitos históricos. Hoje temos apenas dois símbolos que nos engrandecem a alma como brasileiros: o hino nacional e a bandeira.

 

Temos poucos ritos, e todos eles esvaziados de sentido patriótico. O mais bem estabelecido é o das eleições, que mais nos dividem do que unificam. Temos mitos...? Os mitos tratam da realidade psicológica e do passado distante dos nossos ancestrais. Não temos, conhecemos ou transmitimos as histórias do nosso passado como nação, ou mesmo dos povos que conformaram a nossa nação. Somos escravos de uma história estéril que relata apenas fatos, geralmente entre disputas de poder, sem nunca ressaltar quais foram os valores, sentimentos e pensamentos que orientaram aqueles que construíram a história. Não temos heróis. Como iremos pedir que nossos políticos defendam o Brasil se não ensinamos a nossas crianças sobre heróis que defendem o seu povo?

 

2. Conhecimento

 

O conhecimento é o que traz fundamentação, profundidade, entendimento global e particular, princípios e bases para que um indivíduo possa determinar com autonomia as suas próprias decisões. Um povo sem conhecimento é um povo que tem as suas escolhas feitas por alguém.

 

No passado, a ideia da liberdade levava homens de todos os cantos do mundo a lutar e morrer por ela. Hoje, no entanto, a maioria de nós continua aprisionada em formas mais sutis e eficientes de prisão, como a ignorância.

 

Um povo que não tem conhecimento histórico, pedagógico, científico, militar, físico, metafísico, político, social, cultural, econômico, geográfico, emocional, psicológico, filosófico, religioso, artístico, gastronômico, comercial, jurídico, etc., é um povo que não tem os elementos essenciais para tomar as decisões mais básicas no seu dia a dia. Como poderíamos esperar que esse mesmo povo soubesse escolher quais são os seus melhores representantes? Ou pelo menos, aqueles que são dignos da sua confiança?

 

3. Costumes

 

Decorrentes dos anteriores e da nossa própria história, mas a todo momento em mutação, temos nossas ações mais cotidianas. Nossos hábitos coletivos e individuais. Os estilos de vida que fogem, em muito, ao controle estatal e podem se constituir um poder de grande mudança em qualquer sociedade. Os costumes dizem quem nós somos. Aquilo que fazemos todos os dias, e a forma como o fazemos, constroem a nossa história e a nossa identidade, além de expressarem as nossas crenças e os nossos valores. O que há de mais poderoso do que aquilo que é feito todos os dias?

 

Almoçar com a família aos domingos. Buscar os filhos na escola. Correr todas as manhãs. Festejar o aniversário. Reunir a grande família no natal. Chorar os mortos. Casar em um lugar especial. Ir à praia no feriado. Pular o carnaval. Ir à igreja. Trabalhar das nove às seis. Ritos cotidianos que nunca abarcam todos, mas que na soma dos diferentes e complementares também criam um sentimento de identidade nacional e pertencimento à comunidade.

 

A pergunta que devemos nos fazer é: Temos costumes que expressam os valores que precisamos para uma boa política e economia? Temos hábitos individuais e coletivos para isso? Votar a cada quatro dois não basta. Precisamos incorporar na nossa rotina a fiscalização aos poderes e representantes políticos, o estudo bem fundamentado de opiniões, teorias e acontecimentos, processos de decisão democrática (não decidimos praticamente nada democraticamente no nosso dia a dia, mas queremos decidir assim que vai nos governar), diálogos, debates, trabalho pela comunidade, ajuda a desconhecidos, participação em locais de decisão de políticas públicas, etc.

 

Cultivar: o quê?

 

A palavra cultura vem de cultivar. Temos que ter a clareza de quais são os conhecimentos, costumes e valores que queremos cultivar em nós mesmos como nação.

 

Quem domina a tradição, o conhecimento e os costumes, domina os valores que orientam aquele povo. Um povo sem cultura não sabe quem é, de onde veio e quais são suas reais potencialidades. É muito mais eficiente dominar um povo culturalmente do que militar ou economicamente, pois cada indivíduo passa a ser aliado e defensor de seu captor, acreditando que seu desejo é próprio, quando na realidade atende aos interesses do dominador.

 

Um povo sem tradição e conhecimento não possui identidade nacional. Sem identidade, cada indivíduo não se sente parte de um todo, mas completamente independente. A falta de segurança, saúde ou educação de outro cidadão em nada lhe diz respeito, até o momento em que ele seja diretamente afetado. A força de um todo coletivo de mais de 200 milhões de pessoas se esvai na individualidade egoísta de cada um.

 

Um povo sem identidade nacional é um povo submisso. Valorizar, defender, promover e desenvolver a cultura de um povo é, portanto, a forma mais eficaz de libertação de uma nação.        

 

 

Significados de “cultura”

 

1. cabedal de conhecimentos de uma pessoa ou grupo social.

"estudioso, possuía uma vasta c."

 

2. conjunto de padrões de comportamento, crenças, conhecimentos, costumes etc. que distinguem um grupo social.

 

3. forma ou etapa evolutiva das tradições e valores intelectuais, morais, espirituais (de um lugar ou período específico); civilização.

 

4. complexo de atividades, instituições, padrões sociais ligados à criação e difusão das belas-artes, ciências humanas e afins.

 

Origem da palavra “cultura”

 

Do latim cultura, culturae, que significa “ação de tratar”, “cultivar” ou “cultivar a mente e os conhecimentos”.

 

Originalmente, a palavra culturae se originou a partir de outro termo latino: colere, que quer dizer “cultivar as plantas” ou “ato de plantar e desenvolver atividades agrícolas”.

 

Com o passar do tempo, foi feita uma analogia entre o cuidado na construção e tratamento do plantio, com o desenvolvimento das capacidades intelectuais e educacionais das pessoas. 

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